1# SEES 27.11.13

     1#1 VEJA.COM
     1#2 CARTA AO LEITOR  O STF NO OLHO DO FURACO
     1#3 ENTREVISTA  PAULO ANDR  O PRXIMO LANCE  UMA GREVE
     1#4 MALSON DA NBREGA  LULA, O CARISMA QUE DESEDUCA
     1#5 LEITOR
     1#6 BLOGOSFERA
     1#7 EINSTEIN SADE  MENOS EXPOSIO  RADIAO

1#1 VEJA.COM
MUNDO  DOS SELFIES
Voc j viu a cena: algum estica o brao segurando o celular apontado para o rosto e, em seguida, publica a foto nas redes sociais. Esse tipo de autorretrato se espalha com tamanho vigor que o Dicionrio Oxford da lngua inglesa incorporou o verbete que o define: selfie. Como mostra a reportagem do site de VEJA, os selfies podem ter intenes diversas, da tentativa de expressar um estado de esprito  autopromoo.

CINQUENTA ANOS NO AR
A srie britnica de fico cientfica e fantasia Doctor Who est comemorando os cinquenta anos da sua primeira exibio. Com um heri extraterrestre dominado por sentimentos humanos e capaz de viajar no tempo e no espao, a srie atravessou geraes e chega agora ao seu auge de popularidade no Brasil com a ajuda da internet e do Netflix. Reportagem no site de VEJA investiga a importncia e o segredo da longevidade de Doctor Who a traz ainda um quiz para os fs testarem seus conhecimentos.

A MSICA DA NATUREZA
O americano Bernie Krause dedicou sua vida  msica. Um dos pioneiros no uso de sintetizadores, ele trabalhou nos anos 1960 com Rolling Stones, Bob Dylan, Stevie Wonder e George Harrison. Nas ltimas dcadas, Krause trocou os estdios pelos sons da natureza. Seu trabalho consiste em ir para o meio do mato  do mar, da geleira, do deserto  e gravar o som ambiente. Ele coletou mais de 4000 horas de gravao, nas quais  possvel ouvir mais de 15.000 espcies em seu ambiente original, e lanou o livro A Grande Orchestra da Natureza. Em entrevista ao site de VEJA, Krause diz: Estou procurando alguma universidade para armazenar todo o meu arquivo de sons  pode at ser brasileira.

AS VTIMAS DAS REDES
A gacha Giana Laura Fabi, de 16 anos, suicidou-se no interior do seu quarto, no dia 14, ao descobrir que fotos em que ela aparecia com os seios nus haviam sido compartilhadas por conhecidos nas redes sociais. Segundo a ONG SaferNet, no Brasil ocorreram pelo menos 1500 casos desse tipo ligados a menores de idade e adultos no ltimo ano e meio.  difcil prever como uma situao de cyberbullying pode acabar, mas a possibilidade de uma tragdia, como no caso de Giana, existe e deve ser levada a srio quando envolve adolescentes. Reportagem em VEJA.com mostra o que a Justia brasileira reserva a quem devassa a intimidade alheia na internet, como so as leis nos EUA e como os jovens podem se proteger dessa ameaa.


1#2 CARTA AO LEITOR  O STF NO OLHO DO FURACO
     Encerrada a nfase na poltica com a priso dos rus do mensalo, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai se dedicar nesta semana a um julgamento cujo resultado tem potencial para desestabilizar a economia brasileira de maneira to violenta e rpida quanto o monumental choque financeiro externo de 2008. Uma reportagem desta edio de VEJA explica os impactos do julgamento da constitucionalidade das leis que viabilizaram os planos econmicos que sucessivos governos implantaram no Brasil, a comear pelo Plano Bresser, de junho de 1987, na gesto Jos Sarney  seguido dos planos Vero, Collor I e Collor II. Em cada uma dessas mexidas drsticas na economia, feitas na tentativa de controlar surtos inflacionrios, os governos tabelaram preos, congelaram salrios e arbitraram no mesmo patamar o reajuste da prestao da casa prpria e os juros pagos pela caderneta de poupana. Ao decidir sobre a constitucionalidade das leis que deram sustentao jurdica aos planos, o STF, no fundo, vai dizer se houve ou no perdas para os poupadores. Em concluindo que houve, vai determinar que os poupadores sejam ressarcidos. A reportagem de VEJA mostra que, pela avaliao do Banco Central e do Ministrio da Fazenda, chegaria a 150 bilhes de reais a quantia a ser entregue aos poupadores. O dinheiro sairia do capital dos bancos.
     Mas, antes que se encare isso como uma vitria contra o sistema financeiro,  preciso ter em mente algumas consequncias inevitveis. A primeira  a reduo dramtica da quantidade de dinheiro que os bancos destinam a emprstimos. Na mdia, os bancos podem emprestar nove vezes o seu capital. Portanto, os 150 bilhes de reduo no capital vo exigir um corte de mais de 1 trilho de reais no volume de emprstimos. A segunda  a perda de arrecadao pelo esfriamento da atividade econmica e pelo prejuzo no balano dos prprios bancos, que deixariam de pagar 60 bilhes de reais em impostos. Muitos analistas temem a instalao de uma crise sistmica no setor bancrio, recesso prolongada no Brasil e um baque nas finanas pblicas. O julgamento vai exigir um apurado discernimento tcnico dos ministros do STF. A comear pelo fato de que, como mostra a reportagem de VEJA com base em peritos judiciais, os planos no ocasionaram perda real aos poupadores.


1#3 ENTREVISTA  PAULO ANDR  O PRXIMO LANCE  UMA GREVE
O lder do Bom Senso F.C. o movimento de jogadores que pressiona a CBF por um calendrio racional diz que o jeitinho brasileiro foi o grande mal do futebol.
PIETER ZALIS E ALEXANDRE SALVADOR

Paulo Andr Cren Benini  um jogador fora do padro. Enquanto a maioria de seus colegas passa o tempo na concentrao jogando videogame, ele l Dostoievski e Voltaire, pinta e escreve. Nas horas de folga, os boleiros vo a um churrasco com pagode e Paulo Andr prefere os museus. Aos 30 anos, o zagueiro campeo mundial pelo Corinthians (contratado do Le Mans, da Frana, onde atuou durante quatro temporadas) resolveu aproveitar sua experincia na Europa e a capacidade de liderana para promover um indito movimento de jogadores que enfrenta a sisuda e antiquada Confederao Brasileira de Futebol (CBF) na organizao dos campeonatos e mesmo na gesto financeira dos clubes. Entre uma partida e uma reunio, Paulo Andr falou a VEJA.

O que quer o Bom Senso F.C.? 
H dois pontos principais. O primeiro  a reduo do nmero de jogos dos clubes da elite e o aumento do calendrio para os times das divises inferiores. O segundo  a implementao do que chamamos de fair play financeiro, com o objetivo de punir os clubes que gastarem mais do que arrecadarem.

Como comeou esse movimento? 
O Alex (meia do Coritiba) e o Juan (zagueiro do Internacional) tiveram uma primeira conversa depois de um jogo (em 10 de setembro). Soube da conversa, liguei para o Alex e em cinco minutos a gente decidiu comear um movimento. Da, convidamos outros atletas. Vieram o Juninho Pernambucano, o Seedorf, o Rogrio Ceni, o Edu Dracena, o Fred e o Elias. A queixa  geral. H uma sensao unnime. Quem volta da Europa v que o potencial humano no Brasil  gigantesco, mas que a estrutura est emperrada, enferrujada. A gente tem tudo neste pas, por que no explorar melhor?

Nas mais recentes rodadas do Campeonato Brasileiro, os jogadores entraram em campo com faixas e ficaram parados por alguns segundos depois do apito inicial do juiz. Quais so os prximos protestos? 
A ideia  aumentar gradativamente enquanto no houver uma resposta da CBF s nossas exigncias. O jogo do Flamengo com o So Paulo (em 13 de novembro, quando os jogadores adversrios ficaram trocando passes de um lado para o outro do campo por um minuto) foi marcante. O torcedor claramente entendeu e apoiou.

Os jogadores podem entrar em greve? 
 uma possibilidade real. No  um absurdo se resolvermos parar. A gente espera que a CBF apresente uma proposta que seja benfica para o futebol. Seno, no h muito que fazer alm da greve. As ameaas de punio no vo nos deter.

A greve pode ocorrer ainda neste campeonato? 
A CBF no acredita na fora do nosso movimento. Eles esto nos testando e vamos aumentar o tom. Nas prximas rodadas, os jogos comeam no mesmo horrio, o que aumenta a repercusso do que fizermos. O risco de greve  muito grande. J nos deram a ideia at de cada time fazer um gol contra de propsito. Mas isso seria inaceitvel pelo desrespeito com o torcedor. Aceito desafiar os poderosos, mas no desmoralizar o futebol.

Como vocs combinam as aes? 
H 150 jogadores que trocam mensagens pelo WhatsApp. Hoje mesmo (sexta-feira retrasada) trocamos mais de 200.

O jogador hoje  mais consciente? 
No geral, o jogador tem mais acesso  informao. Ainda h medo de se posicionar e sofrer retaliao da torcida, da diretoria e das entidades: mas entre os jogadores h muita discusso sobre os problemas do futebol. Entretanto, pelo medo de retaliao e por historicamente a classe ser desunida,  difcil o jogador se expor em pblico.

Os lderes do Bom Senso F.C. so atletas em fim de carreira. Os novos esto com medo ou foram orientados a no protestar? 
Os dois. Os jogadores que comearam a reclamar do calendrio foram aqueles que passaram um tempo na Europa e voltaram para o Brasil. A pergunta que todos fazem : Como  possvel eu ter sado daqui h tanto tempo e nada ter melhorado?. Comeamos a conversar e perceber a evidente precariedade do futebol no nosso pas. Por terem uma condio financeira melhor, os mais velhos so o carro-chefe do grupo. Os mais novos sempre esto mais expostos a retaliaes.

A CBF atrapalha o futebol brasileiro? 
A Fifa sabe que seu papel  vender futebol. Percebeu que para ganhar mais dinheiro  preciso qualificar o produto. Ento, comeou a cuidar do gramado, do estdio, da qualidade dos times.  o padro Fifa. Na Uefa  a mesma coisa.  uma entidade que organiza a Champions League e a Euro e decidiu dar prioridade  capacitao de treinadores. Porque so eles os formadores dos atletas, que vo desenvolver o futebol-arte e, assim, atrair pblico para o espetculo. Dessa forma, a Uefa ganha mais dinheiro. J a CBF no faz nada para melhorar a qualidade do que vende. Nada. A CBF no entende que o ingresso est caro para o jogo que est sendo vendido. A CBF ganha milhes com a seleo, com os patrocnios e, segundo ela, no ganha nada com o Campeonato Brasileiro. Talvez seja por isso que ela no se interesse em fazer um calendrio que propicie um futebol de qualidade. Os gramados so horrveis, os antigos estdios esto pssimos. Tem jogo todo dia na televiso sem o menor critrio de qualidade. S quantidade. Seria fundamental adotar o modelo ingls, em que a confederao cuida da seleo e a liga, de clubes dos campeonatos.

A Rede Globo tem interesse nessa mudana? 
A Globo tem dilogo total com o movimento. Eles esto sendo solcitos e so os mais preparados para a discusso do novo calendrio. A Globo aceita que no haja mais futebol em janeiro. Como a audincia nesse ms  baixa,  melhor aumentar a pr-temporada. Eles esto no direito deles, de lucrar com o futebol. O problema  a CBF, que no defende o futebol.

Um caminho seria limitar o mandato dos dirigentes das entidades esportivas? 
Sim. A democracia e a alternncia de poder so fundamentais para qualquer instituio. A medida provisria que prev o direito a apenas uma reeleio nas federaes que usam dinheiro pblico  crucial. O direito a voto direto dos atletas tambm tem o apoio do Bom Senso F.C.

Como respondem  crtica de que vocs querem jogar menos e ganhar a mesma coisa? 
Essa  a maior inverdade. Reduzindo o nmero de jogos, o espetculo fica melhor e o interesse do pblico aumenta. A gente busca o bem do futebol, no nosso conforto. Queremos reduzir o limite anual mximo de jogos para 73. Hoje, o Campeonato Brasileiro tem 38 jogos, a Copa Libertadores catorze, ou dezesseis se a equipe tiver de disputar a pr-Libertadores. Ainda h a Sul-Americana e a Copa do Brasil. Antes de tudo isso, os times tm de disputar os campeonatos estaduais. Para fazer um estadual com um mnimo de charme, uma das propostas  a reduo de dezenove para sete jogos, com as mesmas regras da Copa do Mundo. Nesse formato, mesmo um estadual com 32 times pode ter um campeo definido em apenas um ms. No caso de clubes menores, da terceira  quinta diviso do Brasileiro, o problema  o oposto. Eles precisam de mais jogos.  a nica maneira de sobreviverem.

Os jogadores aceitam ganhar menos para que os clubes reorganizem suas finanas? 
Sim. O movimento defende a implantao do fair play financeiro, que pode resultar na reduo dos altos salrios dos jogadores. O clube ter de apresentar a cada trs meses uma comprovao do pagamento de todas as suas obrigaes, correndo o risco de ser suspenso se estiver inadimplente. Para conseguirem isso, alguns times devero contar com elencos mais baratos. O torcedor e os atletas tero de entender que esse  o preo a ser pago para que o futebol brasileiro se reorganize.

O que, nos servios brasileiros, tem padro Fita? 
De padro Fifa no temos nada. A CBF  padro jeitinho brasileiro.

 bom para o Brasil sediar a Copa do Mundo? 
Quando foi anunciada a Copa com dinheiro privado, eu comprei a ideia. Hoje, vejo que 90% dos estdios utilizaram dinheiro pblico. Percebi que no foi cumprido o combinado. A Copa mexe com o imaginrio, desde 1950 o Brasil sonhava em sediar mais uma. Mas havia outras prioridades para o uso desse dinheiro. Era melhor investir em educao de qualidade, sade pblica decente, transporte melhor. Se fosse a Copa do dinheiro privado, no teria problema. Como no foi, lamento a gastana na construo dos estdios.

Existe corrupo no futebol? 
Existe, assim como na sociedade. Se no houver regulao e fiscalizao, haver desvio.

O futebol brasileiro est decadente? 
Est em crise desde 2002. As vitrias tapam os erros e as pssimas administraes. O Brasil corre o risco de ganhar a Copa, mascarar os problemas estruturais e s voltar a essa discusso em dois ou trs anos. Mesmo assim, toro para que o Brasil erga a taa e o futebol melhore. As duas coisas juntas seriam o verdadeiro legado da Copa.

Como  a rotina de um jogador de primeira diviso? 
Desde os 20 anos eu no vou nem a casamento de amigo. Toda sexta, sbado e domingo estou concentrado ou jogando. Desde que sou atleta, no viajo no fim de semana, no sei o que  feriado, no sei o que so dois dias de folga seguidos. O torcedor, como s v o time nos dias de jogos, na quarta e no domingo, acha que trabalhamos pouco.  iluso pensar que todo jogador  milionrio. S 3% dos profissionais recebem bem a ponto de poder encerrar a carreira aos 35 anos e viver de renda. Para 97%, a vida  atribulada e no d chance de poupar para o futuro.

A vontade de jogar uma partida de primeira fase no estadual  a mesma que se tem em um jogo de Libertadores? 
Nem se compara. Tem dia que voc vai para o jogo e o ltimo lugar que queria estar  no gramado.  um sentimento inconsciente, claro, muito em razo da presso psicolgica sofrida o ano todo. Fizemos um levantamento que mostra que o jogador de um grande clube brasileiro tem vinte dias de folga no ano. J o trabalhador comum tem 52 fins de semanas. Ou seja, mais de 100 dias. E nossos vinte dias so afetados pela presso que sofremos por resultados, pelas crticas, por caras que atiram rojes ou pedras contra ns.

A concentrao  necessria? 
No, mas para mim acabou sendo til. Uso o tempo da concentrao em coisas produtivas, como escrever meu livro. Os caras achavam que eu estava ficando louco, no saa do quarto. J pintei quadros, vi muito seriado. Agora gasto o tempo fazendo essa agitao do Bom Senso F.C.

Qual a diferena do cotidiano de um jogador no Brasil e na Frana? 
Aqui, chego sexta-feira s 15h30 para treinar e s volto para casa no domingo  noite, depois do jogo. Mesmo que eu fique em um bom hotel, so dois dias e meio concentrado. Como jogo duas vezes por semana, so 160 dias do ano concentrado. Na Europa, eu me apresentava na hora do almoo, descansava e jogava  noite. No tem concentrao. H ainda o exagero das viagens. L, a mdia de um time  viajar 8000 quilmetros por temporada. Aqui, os grandes clubes de So Paulo voam 35.000 s nos campeonatos nacionais. A queda de rendimento  inevitvel.

Voc pinta e escreve. De onde veio essa motivao? 
Quando jovem, fui estudar porque achava que no seria jogador. Mas virei profissional no Guarani, ganhei meu dinheiro, fui para a Frana. L, machuquei o joelho e fiz trs cirurgias. Fiquei um ano e meio parado. A decidi voltar a estudar, fui ler filosofia e psicologia, porque estava com depresso. Li tudo de Dostoievski, tudo de Voltaire. Fiz curso de educao financeira. Fui ao Louvre e achei to incrvel que resolvi pintar. No entendo de arte. Aquilo comeou como um hobby para acabar com a minha dor. 


1#4 MALSON DA NBREGA  LULA, O CARISMA QUE DESEDUCA
     Ao discursar na comemorao dos dez anos do Bolsa Famlia (30/10/2013), o ex-presidente Lula ressuscitou equivocados clichs dos anos 1980. Se desemprego e arrocho salarial resolvessem o problema deste pas, a gente nunca teria tido os problemas que tivemos at chegarmos ao governo. Isso era o que dizia a esquerda, quando sugeria que o desemprego e as perdas salariais seriam o objetivo da poltica econmica, e no o efeito do necessrio ajuste da economia. Como importante e bem-sucedido lder poltico, Lula deveria ser mais cauteloso.
     O lder poltico sensato, com viso de futuro, usa seu poder de persuaso para inspirar a formao de novos consensos e o abandono de ideias equivocadas. Ajuda a entender realidades. Convence. Ensina.  o que fez Abraham Lincoln no discurso de posse do segundo mandato como presidente dos Estados Unidos (4/3/1865). A Guerra Civil se encerrava. Ningum podia alegar, disse ele, conhecer a vontade divina, contrariamente ao que imaginavam as partes da disputa, para as quais Deus estaria ao seu lado. Lincoln ensinou que estavam todos errados; que a escravido era um mal; e que os vencedores deveriam rejeitar o triunfalismo.
     Ajustes na economia se impem quando fica insustentvel manter a expanso do consumo e do investimento em ritmo superior ao do crescimento do PIB. Esse desequilbrio (dficit) implica a importao lquida de bens e servios e seu financiamento com recursos externos. Se a confiana se desfaz  por crise externa, m gesto, excesso de gastos ou descontrole inflacionrio , os capitais fogem, inviabilizando o financiamento do dficit. O ajuste se torna inevitvel para reduzir ou eliminar o desequilbrio e reconquistar a confiana. O ajuste  tambm necessrio se o desequilbrio faz a inflao escapar do controle. No sinuoso raciocnio de Lula, o sofrimento de um paciente seria o propsito do mdico, e no o efeito do tratamento para cur-lo.
     O ex-presidente visitou tambm um velho equvoco sobre oramento pblico. Dinheiro pblico aplicado em gente, em sade, em educao, renda e comida nunca mais pode ser tratado como se fosse gasto, mas sim um grande investimento. Assim falava a esquerda nos anos 1980, quando criticava os cortes de despesas. Na verdade, qualquer desembolso do oramento  gasto, seja de custeio, seja de investimento. D-se razo a Lula quando diz que gastar em educao e sade constitui investimento para o futuro. Se no houver desperdcio, isso  de certa forma correto, mas no elimina a restrio oramentria, isto , um conceito econmico segundo o qual a despesa tem limites. Lula d a entender que aplicar dinheiro pblico nas atividades que ele menciona implica a liberdade de gasto ilimitado.
     No seu primeiro mandato, Lula foi um presidente comprometido com a responsabilidade fiscal. A gesto macroeconmica responsvel e a elevao do supervit primrio contriburam para que seu governo conquistasse a confiana dos investidores e para que o Brasil obtivesse o grau de investimento atribudo pelas agncias de classificao de risco. Nos seus primeiros anos, reformas microeconmicas aumentaram o potencial de crescimento do pas. Tudo isso ajudou a viabilizar a expanso dos programas sociais, a reduo da pobreza e a queda nas desigualdades. Na aludida comemorao, corretamente, o ex-presidente reivindicou para si essa ao responsvel. Conseguimos combinar uma boa poltica macroeconmica com uma extraordinria poltica microeconmica. Depois de ter defendido vises errneas, tpicas dos seus tempos de lder sindical e de poltico da velha esquerda, o ex-presidente assinala que, no poder, agiu como lder sensato. Lamentvel contradio.
     Aps ter dirigido o Brasil por oito anos, custa a crer que Lula se mova por ignorncia quando faz afirmaes eivadas de rasos erros conceituais. O mais provvel  que busque manipular opinies com fins eleitorais, mesmo ciente do equvoco de suas afirmaes.  uma pena. Sua inequvoca liderana poderia ser posta a servio do esclarecimento de vastos segmentos da sociedade. Ao contrrio, seu discurso populista deseduca as massas que se encantam com seu carisma.


1#5 LEITOR
PRISO DOS MENSALEIROS
A reportagem A quadrilha na cadeia (20 de novembro) trouxe a esplendida notcia da priso de condenados no processo do mensalo, que soa como um alvio para o povo brasileiro  em sua esmagadora maioria to sofrido e ctico em relao s instituies polticas. Tenho a sensao de que a Repblica foi refundada no Brasil. J est mais do que na hora de os reizinhos do PT perceberem que a monarquia  coisa do passado e que agora todos eles, consoante as regras republicanas, so iguais a todo mundo.
MARCO ANTNIO CORDEIRO ARAJO
Marlia, SP

Depois de anos na escurido, enfim vejo uma luz no fim do tnel. Nem tudo est perdido. Voltei a ter orgulho de ser brasileira!
MARIA GORETI KLEIS TOMIO
Itaja, SC

Sou brasileira, moro no exterior e senti alvio ao ler a reportagem A quadrilha na cadeia. Com a deciso do Supremo Tribunal Federal (STF), vejo uma porta de esperana para o futuro das crianas brasileiras. Aqui na Holanda tudo funciona. Hospital pblico, transporte pblico... E fico pensando por que no pode ser assim no Brasil. Aqui, tudo o que  pblico, incluindo o dinheiro, tem de ser respeitado. A alta cpula do governo vai trabalhar de bicicleta. J imaginou polticos como Jos Sarney indo de bike para o Senado? Pois , na Holanda isso  normal. Ningum nada em dinheiro. Tudo funciona. No h superfaturamento, mensalo. Por isso o dinheiro  suficiente para fazer o pas andar de forma adequada, sem buraco na rua, sem gente morrendo na frente de hospital. Parece que o Brasil est acordando, finalmente.
MICHELLE HELENA KOVACS
Breda, Holanda

Havia um grande incmodo em ver esses mensaleiros circulando entre as pessoas de bem... Obrigado, Joaquim Barbosa. Seu lugar na histria est assegurado. Voc carrega esse tribunal supremo nas costas. Talvez seja essa a razo de tanta dor.
LCIO OSWALDO VIEIRA
Rio de Janeiro, RJ

Mais do que cansado, o povo brasileiro estava desanimado, descrente aps o maior escndalo de corrupo da histria. O dia 15 de novembro de 2013  histrico!
RENATO NEVES 
Braslia, DF

A partir de agora, o feriado de 15 de novembro ser chamado de Dia da Proclamao da Esperana.
IVONE ZANELLA COEDEIRO
Campos Novos, SC

Estamos de alma lavada. Finalmente o STF decretou a priso dos mensaleiros condenados.
ARIVALDO FERREIRA CAMPOS
Peixe-Boi, PA

Sinto uma imensa satisfao ao ver que finalmente lanaram, para os mensaleiros, o programa Minha Cela, Minha Vda.
PAULO BOCCATO
So Carlos, SP

O brasileiro tem tendncia a tratar marginal como figuro, mas enorme dificuldade em tratar figuro condenado como marginal. So patticos os movimentos e protestos contra a priso de polticos corruptos condenados pela Justia.
BELMIRO DEUSDETE
Alagoinhas, BA

A Polcia Federal, corretamente e sem estardalhao, deu cumprimento s ordens do STF, desmistificando a prtica de que no Brasil priso  s para pobre.
DULCE MARIA DE BRITTO FREIRE BARROS
Olinda, PE

Todo o roteiro da longa novela do mensalo comeou com as descobertas e reportagens de VEJA, que permitiram ao Ministrio Pblico levar o enredo adiante at o final, quase totalmente feliz. A comemorao  da sociedade e de VEJA!
FBIO COSTA
Palmas, TO

Que satisfao ver os mensaleiros atrs das grades Parabenizo VEJA por seu papel principal no desmonte do mais engenhoso episdio de corrupo da histria brasileira.
Braslia, DF

Vivemos hoje no Brasil um momento histrico, em que pessoas corruptas e que se acostumaram a usar o bem pblico para subsidiar interesses prprios esto sendo descobertas e presas. Isso deveria passar longe de interesses partidrios. Os caras erraram, e pronto. So culpados, e pronto. No deveria nos interessar se so do PT, do PSDB, do PMDB ou de qualquer outro partido. O que  relevante e louvvel  o fim da impunidade.
FLVIA DE LACERDA PARAMES
Braslia, DF

Que a cadeia para os mensaleiros seja o incio de uma regra e no exceo no Brasil. Cadeia para os corruptos!
FABIANO RICARDO AYOUB DA ROCHA
Vitria, ES

Disse o ex-tesoureiro petista Delbio Soares, em 2005: Em trs ou quatro anos, tudo ser esclarecido e esquecido, e acabar virando piada de salo. Quanto a virar piada, quem est rindo  o povo brasileiro, honesto e trabalhador. Que sirva de lio aos demais larpios do Errio.
CLAUDIO JUCHEM
So Paulo, SP

Jos Dirceu e Jos Genoino foram presos por corrupo e assalto aos cofres pblicos. Mrtires? S se forem de alguma organizao criminosa.
ROBERTO CHRISTIANO G. OLIVEIRA
So Paulo, SP

Preso poltico  o indivduo condenado por exprimir-se contra o regime poltico de um pas.  um conceito associado a regimes ditatoriais, que, portanto, nem cabe mais a um pas democrata como o Brasil. Os mensaleiros presos foram condenados por corrupo ativa e formao de quadrilha; roubo, mesmo, que  crime previsto no Cdigo Penal! O fato de infelizmente este ser um crime corriqueiro no Brasil, praticado por muitos que no vm sendo punidos, no diminui a culpa deles nem justifica tolerncia alguma por parte das autoridades.
ROSANA PUGA DE MORAES MARTINEZ
Campo Grande, MS

Quando eles vo devolver o dinheiro que roubaram?
MARIA CRISTINA BARBOSA
Rio de Janeiro, RJ

No interessa ao povo pagar para mant-los presos O que deserta ser feito  obriga-los a devolver o dinheiro roubado.
THEREZINHA L. SILVA
Curitiba, PR

Se cara de pau fosse crime, Jos Dirceu e Jose Genoino pegariam priso perptua.
ARNALDO LUIZ CORREA
Santos, SP

 imprescindvel que o povo vote com conscincia para no pr no poder novos delinquentes usurpadores da tica, do Errio e da dignidade da nao.
TATIANA BRANDO CAVALCANTE
Jequi, BA

Se o mensalo tivesse acontecido em qualquer governo no petista, os agora condenados seriam os primeiros a levantar a voz contra o que classificariam como uma das maiores vergonhas da histria poltica nacional.
VIRGINIA PINTO
Caxias do Sul, RS

O julgamento do mensalo e sua execuo foram um marco na Justia brasileira. Entretanto, fiquei incomodado com quatro fatos: 1) Marcos Valrio s existiu porque abriram a porta do governo para ele. Foi o operador do esquema e pegou a pena maior; injusto; 2) Simone Vasconcelos era funcionria dele, s cumpria ordens; no deveria ter sido apenada; injusto; 3) Jos Dirceu foi o executivo; nada se fazia no governo que no passasse por ele; sabia de tudo e pegou pena menor: injusto: 4) Lula, que hierarquicamente e obviamente foi o chefe, para safar-se, traiu e abandonou  prpria sorte seus comandados, foi desleal e imoral e no pegou nada; injusto.
ROBERTO DOGLIA AZAMBUJA
Braslia, DF

O principal beneficiado com o mensalo est por a, livre, leve e solto, dando as cartas no governo.
RUY BAMPA
Santos, SP

Espero que os petistas da base, tambm vtimas, no saiam s ruas defendendo o indefensvel: que eles admitam que foram enganados de forma humilhante por uma gangue que se apoderou de sua legenda.
ALIOMAR LUCIANO DOS SANTOS
Brusque, SC

Lamentvel a ausncia de Lula entre os rus.
MARILIA LAGO RODANTE VICENTIM
So Jos do Rio Preto, SP

CAPA
Genial a capa da edio 2348 (20 de novembro) A imagem lana luzes sobre o semblante debochado dos presos. Um lado da face jaz oculto a esconder os crimes hediondos. Perfeita e histrica essa capa. Parabns! 
IGNEZ DE ASSIS
Belo Horizonte, MG

CARTA AO LEITOR
Na Carta ao Leitor Que seja s um comeo (20 de novembro), VEJA se superou ao afirmar que o desfecho do escndalo do mensalo no pode ser encarado como a vitria de um partido sobre outro. Modestamente, eu acrescentaria que o partido mais afetado pelos fatos perdeu uma excelente oportunidade de tornar esse desfecho, que poderia ter sido imaginado, uma vitria sobre si mesmo. Com o partido assumindo publicamente suas responsabilidades, afastando o corporativismo obsoleto e punindo seus corruptos mais expressivos, nossa populao reconheceria esse reforo.
JOS AUGUSTO DE CASTRO NETO
Belo Horizonte, MG

Parabns pelo editorial Que seja s um comeo. Espero que os chefes maiores do mensalo tambm sejam punidos, e no apenas os personagens de segundo e terceiro escalo.
PEDRO FORTES
So Paulo, SP

CID GOMES
Muito oportuna a entrevista com o governador do Cear, Cid Gomes, no que tange s dificuldades no trato de obras e compras pblicas (Todos querem roubar o Estado, 20 de novembro). Tal assunto mereceria uma reportagem especfica, esmiuando os seguintes temas: cartel entre empresas; conluio entre empresas e gestores pblicos; preos oficiais e pesquisas de preos, em que o pesquisado apresenta o preo que melhor lhe convier.
FERNANDO DEBEUS COSTA
So Paulo, SP

Depois de ler a entrevista com o governador Cid Gomes, fiquei me perguntando como esse sujeito pode ser governador.
CARLOS ALBERTO RAINHA BATISTA
Serra, ES

Ao contrrio do que o governador Cid Gomes afirmou em sua entrevista, o projetista de uma obra nunca se junta  construtora para acertar sobrepreos. O projeto deve ser contratado, de acordo com a Lei de Licitaes (8666/93), antes da obra e, se for adquirido ao custo e com o prazo adequado ao seu desenvolvimento,  uma verdadeira vacina anti-corrupo, pois define mtodo de construo, especifica e quantifica materiais, prazos e custos para a execuo dos servios de construo, colocando-os sob o controle total dos gestores pblicos em todos os seus aspectos.
JOO ALBERTO VIOL
Presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco)
So Paulo, SP

Apesar das economias alegadas pelo governo cearense, deve-se primeiramente priorizar e fiscalizar a correta concluso das obras, principalmente na rea da sade. Devido  pressa na construo do hospital de Sobral (CE), foram deixadas falhas que resultaram no desabamento da marquise desse mega-hospital que custou quase 200 milhes de reais, alm de mais 650.000 reais pagos no luxuoso show da cantora Ivete Sangalo. O hospital foi inaugurado e parte dele desabou, por cansa dos ventos fortes e chuvas que castigaram a regio, e a populao cearense, que deveria ser beneficiada, s foi assistida pelos mdicos aps um ms da inaugurao. Infelizmente, para promover governos, aqui no Brasil a diverso vale mais do que a sade.
ELDIO VIEIRA MILHOMENS JNIOR
Fortaleza, CE

Governador Cid Gomes, o povo cearense clama por aes mais efetivas e estruturadas nas reas da sade, segurana, educao e saneamento.
SANDRA ARARUNA
Fortaleza, CE

O governador Cid Gomes declarou que todos querem roubar o Estado. Todos quem, cara-plida? Vamos dar nomes aos bois, mas com muita imparcialidade, porque os brasileiros j viram demais muita camaradagem nessa turminha macabra.
TERESA ABREU DE ALMEIDA
Rio de Janeiro, RJ

Cid Gomes merece o nosso esquecimento e VEJA o despertou.
SRGIO CALDEIRA DE ARAJO 
Rio de Janeiro, RJ

 lastimvel que algum que poderia participar da renovao poltica do Brasil prefira manter-se na velha poltica coronelista.
ANTONIO ROBERTO DE S
Belo Horizonte, MG

O governador Cid Gomes afirma que no governo Dilma h projetos que no foram concludos, mas a dificuldade de fazer uma obra no Brasil  enorme. As obras superfaturadas dos estdios no tiveram dificuldades: para implementar Bolsa isso, Bolsa aquilo, no h dificuldade... S existe dificuldade no que no  conveniente para eles que esto no poder.
MRCIA ALINE BRITO
Feira de Santana, BA

Cid Gomes  mais um poltico que s se aproveitou do poder para usufru-lo em benefcio prprio.
CARLOS ROBERTO BATISTA
Campo Grande, MS

LYA LUFT
Com a lucidez que lhe  peculiar, a escritora Lya Luft externa seu desejo, que deveria ser o de todos os brasileiros, por melhores profissionais e condies de trabalho nos mais diversificados setores de nossa sociedade (Que profissionais queremos?, 20 de novembro). No que diz respeito aos policiais, que desejamos sejam bem preparados, bem armados, psicologicamente bem orientados, e apoiados pela sociedade e pela Justia, para poderem cumprir o seu dever, a escritora toca em um ponto nevrlgico de nosso sistema de segurana pblica, pois as polcias hoje esto esmagadas entre a criminalidade organizada, que cresce a cada dia, elevando a violncia a nveis jamais vistos, e uma Justia morosa, desinteressada e aptica.
SILVIO HAUTZ
Guaxup, MG

 lamentvel perceber que o incentivo  mediocridade virou poltica de Estado no Brasil.
FABRCIO CARVALHO
Olho dgua, PB

Estou desanimada com esses nossos governantes.
ANILDE M. ARANTES GRECCO 
Belo Horizonte, MG

Texto com contedo valioso, expressivo, objetivo e sbio de Lya Luft, digno de uma grande escritora que enxerga o Brasil pelo prisma da meritocracia de nossos profissionais, e no atravs das frestas do oportunismo e casusmo de jogos de interesses.
MARCO VALRIO GOMES BATISTA GONALVES
Joo Pessoa, PB

Estamos regredindo. Anos atrs o ensino pblico era mais bem avaliado que o particular.
ALAOR GARCIA FERREIRA JUNIOR
Guarulhos, SP

Esperava minha filha na salda do Enem 2013, quando presenciei a seguinte conversa entre dois jovens que participavam do mesmo exame: Veio, com a nota que tirei ontem, vai d pra mim passar em letras!. O governo institucionalizou o jeitinho, o caminho mais fcil, o fim do mrito e da dedicao para alcance de metas em todos os campos.
HERMANO CAMPOS WANDERLEY REIS 
Belo Horizonte, MG

EXUMAO DE JOO GOULART
A reportagem Sepulturas sem sossego (20 de novembro), do jornalista Augusto Nunes, mostra a que ponto chegou a temporada de caa ao veneno na Amrica do Sul. Uma completa paranoia. A secretria Maria do Rosrio, dos Direitos Humanos, no pode dispensar a leitura do livro Meu Amigo Jango, escrito pelo jornalista Kenny Braga, com o depoimento do piloto do avio do ex-presidente Joo Goulart. Maneco, como era chamado popularmente, trabalhou com Jango no Rio de Janeiro e em Braslia e, conquanto fosse seu piloto, transformou-se no principal auxiliar pessoal do ex-presidente. Pois Maneco diz claramente nesse depoimento que Jango morreu de infarto, merc da vida descuidada que levava. Relata que Jango havia antes sofrido infartos no Mxico e no Uruguai.
JOARES ANTONIO CAOVILLA
Braslia, DF

A viva, a quem pertence o homem e o vulto histrico, achou-se sem foras para resistir  presso dos filhos e dos polticos inescrupulosos e acabou cedendo.
PAULO MELLO SANTOS
Salvador, BA

Depois da espetaculosa macumba paga com dinheiro pblico, protagonizada em Braslia em 14 de novembro, acho que o prprio Jango se revirou no caixo...
JOS DE SOUZA JUNIOR
Jundia, SP

CENSURA A BIOGRAFIAS
No artigo P de cal em 1968 (20 de novembro), do historiador Paulo Cesar de Arajo,  fcil deduzir que Roberto Carlos, entre outros semideuses da mesma fauna, vive cercado por uma horda de bajuladores, e entronado numa redoma ilusria cujo resultado  uma viso distorcida do que ocorre aqui fora.
LUIZ GONZAGA LOPES
Afogados da Ingazeira, PE

No poderia ser mais infeliz a frase de Paula Lavigne, presidente do grupo Procure Saber, segundo a qual ela e os seus no precisam de advogado criminalista porque no cometeram crimes, ofendendo no s uma classe profissional como, e sobretudo, cidados que procuram advogados (Veja Essa, 13 de novembro). Sou advogado criminalista. Sem entrar no mrito sobre quem tem ou no razo na polmica das biografias, assunto de difcil soluo na medida em que implica coliso de valores constitucionais fundamentais,  fato que tamanho simplismo sobre a advocacia e a cidadania no se esperaria da filha de um notvel advogado criminalista.
ROGRIO TAFFARELLO
So Paulo, SP

LEI ROUANET
A Lei Rouanet  um instrumento perverso. Se no for reformulada, se o Procultura no sair logo do papel, Rio de Janeiro e So Paulo continuaro levando a maior parte do bolo. O Fundo Nacional da Cultura deveria ter recursos proporcionais aos que so destinados  Lei Rouanet. Dessa forma ampliaramos as chances dos produtores culturais de outros centros, sobretudo os do Nordeste (Quanto vale o show?, 20 de novembro). 
JOO PAULO COUTO SANTOS
Ilhus, BA

SISTEMA INTERLIGADO NACIONAL
Em relao  nota Em quem acreditar? (Radar, 20 de novembro), esclarecemos que em nenhuma parte da publicao do oitavo balano do PAC2 h referencia  concluso da obra de interligao entre Manaus-AM e Boa Vista-RR. A nica citao  linha de transmisso Manaus-Boa Vista, que integrar a capital Boa Vista ao Sistema interligado Nacional, encontra-se na pgina 85, e indica que a mesma no teve sua obra de implantao iniciada. A interligao concluda entre Tucuru-PA e Manaus-AM (julho/2013).
ILDO WILSON GRDTNER
Secretario de Energia Eltrica do Ministrio de Minas e Energia 
Braslia, DF

SO PAULO
Quero repudiar veementemente as afirmaes feitas por testemunhas ouvidas pelo Ministrio Pblico Estadual a respeito da investigao da Controladoria-Geral do Municpio sobre esquema de fraude ao imposto sobre servios (ISS) da capital (Fiscal quebrou sigilo de Palocci, diz testemunha, 20 de novembro). Quero reiterar que no recebi recurso algum de nenhum dos servidores investigados para minha campanha eleitoral para vereador. Isso pode ser facilmente comprovado por meio da prestao de contas declarada ao Tribunal Regional Eleitoral e aprovada pelo rgo sem ressalvas, e que pode ser consultada por qualquer pessoa no portal do TRE. No sou alvo das investigaes da Controladoria nem do Ministrio Pblico, nem tenho relao com tais investigaes. Como vereador eleito pela cidade de So Paulo e como cidado, dou meu total apoio aos trabalhos da Controladoria-Geral do Municpio, neste caso em especial, e a toda e qualquer investigao que tenha por objetivo identificar responsveis por desviar recursos, aproveitar-se de cargos pblicos para receber vantagens e prejudicar as contas e a imagem do municpio, do estado ou da nao, em qualquer esfera.
PAULO FIOILO
Vereador e presidente da CPI do Transporte Coletivo da Cmara Municipal
So Paulo, SP

CBF
Faxina geral e urgente na Confederao Brasileira de Futebol (CBF) e nas federaes estaduais, em que vivem encastelados cartolas que no prestam contas a ningum (O mensalinho de Marin, 20 de novembro). As autoridades precisam agir para que nosso futebol, to respeitado no exterior, saia das mos dessas raposas.
LAURINDO VIEIRA
Natal, RN

CLAUDIO DE MOURA CASTRO 
Parabenizo o economista Claudio de Moura Castro, autor do artigo O PNE e as caboclinhas (13 de novembro), pela exposio, argumentao e viso pertinentes perante o atual cenrio da educao brasileira. Sou estudante, tenho 17 anos e acabo de concluir o ensino mdio, alm de prestar variados vestibulares. Envio esta carta no somente em funo desse artigo, mas principalmente com o intuito de mostrar qual  a viso de um adolescente que viu de perto a tal crise do ensino mdio  merecedora, como j revelado no artigo, de um pargrafo inteiro no cmico e, at ento, desnorteado PNE. Acredito que, realmente, o que esteja faltando  um plano de melhorias que aborde os variados setores de nossa educao, o qual deve contar com ampla discusso e legitimao da sociedade, como j foi revelado pelo economista. No adianta atirar pedras para todos os lados, misturar interpretaes de polticos mal preparados e que, muitas vezes, nem ensino superior completo possuem, alm de depender dos papis invertidos propostos pelo MEC. As tentativas de mascarar a atuao de Claudio de Moura Castro no plenrio do Senado nacional, achando defeitos ou pecados no seu discurso, no devem impedir que suas reivindicaes, responsveis por representar os ideais, vontades e interesses de militares de estudantes, se dispersem.
OTVIO AUGUSTO VALASKI SCHLGEL 
Curitiba, PR

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


1#6 BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

RADAR
LAURO JARDIM
CARNAVAL
O enredo da Unidos da Tijuca sobre Ayrton Seana para o Carnaval 2014 est com dificuldade para encontrar patrocinadores. Em 201e, nessa poca, a escola j havia arrecadado mais de 2 milhes de reais. www.veja.com/radar

QUANTO DRAMA
PATRCIA VILLALBA
NOVELA
Modelo e ex-cantor de ax, o belo ator paraibano Leandro Lima faz bem seu primeiro papel de destaque na novela Joia Rara. Ele interpreta o pracinha Davi, preso a uma cadeira de rodas aps lutar na II Guerra Mundial. www.veja.com/quantodrama

COLUNA
RODRIGO CONSTANTINO
CRESCIMENTO
O governo Dima deve terminar com o mais baixo crescimento de quatro anos desde 1990. As perspectivas da agncia Standard & Poors so negativas para o Brasil desde junho. www.veja.com/rodrigoconstantino

COLUNA
REINALDO AZEVEDO
MENSALO
Joaquim Barbosa no cometeu ilegalidade nenhuma ao determinar a priso dos mensaleiros. A gritaria  decorrncia da mquina de difamao do petismo. www.veja.com/reinaldoazevedo

SOBRE IMAGENS
GILVAN BARRETO
O serto nordestino  um tema recorrente na fotografia brasileira. A paisagem rida, longe de j ter sido totalmente compreendida e registrada,  um osis para fotgrafos. O novo livro do fotgrafo Gilvan Barreto, O Livro do Sol, tenta mostrar a presena do homem e da gua nesse cenrio. Para captar as imagens, Gilvan rodou mais de 4000 quilmetros na regio do semirido pernambucano, durante um ms, no vero de 2013.
www.veja.com/sobreimagens

IMPERDVEL
PINTURAS CEGAS
Depois de ter passado pelo Instituto Tomie Ohtake, em So Paulo, entre abril e junho de 2011, a exposio Pinturas Cegas leva ao Museu de Arte do Rio (MAR), no Centro do Rio de Janeiro, 24 obras realizadas por Tomie com os olhos vendados, entre 1959 e 1962. A mostra, com curadoria de Paulo Herkenhoff, diretor cultural do museu, traz pinturas feitas ainda no comeo da carreira da artista, que deu os primeiros passos nas artes em 1952. As peas, altamente expressivas, valorizam as pinceladas de Tomie.
www.veja.com/imperdivel

SOBRE PALAVRAS
DA BLGICA PARA O MUNDO
O sentido original da palavra spa, de estncia hidromineral ou hotel elegante de veraneio, no demorou a empalidecer diante da extenso semntica hoje dominante no Brasil: a de estabelecimento dedicado  recuperao fsica ou mental do fregus  sobretudo ao seu emagrecimento. O Houaiss garante que importamos a palavra do ingls no sculo XX, mas o ingls buscou no sculo XVII o substantivo spa no nome prprio de uma cidadezinha belga conhecida como Prola das Ardenas. Sim, a mesma que recebe o Grande Prmio da Blgica de Frmula 1, disputado no belo circuito de Spa-Francorchamps. Desde o sculo XIV, porm, Spa, situada na provncia de Lige, j tinha projeo internacional como o mais chique balnerio da Europa.
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 Est pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


1#7 EINSTEIN SADE  MENOS EXPOSIO  RADIAO
Avanos tecnolgicos permitem reduzir o contato do paciente com substncias radioativas durante exames.

     Controlar a exposio  radiao  uma preocupao atual e recorrente. Desde que estudos cientficos apontaram a relao entre a exposio  radiao e o desenvolvimento de cncer, mdicos e radiologistas de todo o mundo vm buscando formas para conciliar cuidados diagnsticos e reduo de risco ao paciente.
     A radiao  matria-prima da radioterapia (uma das principais armas de combate ao cncer), da radiologia diagnstica (como exames de raios X e tomografia computadorizada, por exemplo) e da medicina nuclear (caso das cintilografias e da tomografia por emisso de psitrons, conhecida pela sigla PET).
     Segundo relatrio do Comit Cientfico da Organizao das Naes Unidas, o uso da radiao na medicina j  a principal fonte de exposio humana  radiao ionizante. De 1997 a 2007 foram contabilizados 3,5 bilhes de exames de raios X por ano, um aumento de mais de 40% em relao  dcada anterior.
     Embora a relao entre a exposio  radiao e o risco de desenvolvimento de cncer esteja bem estabelecida, a dinmica no  linear, ou seja, o risco de uma pessoa desenvolver a doena no dobra depois que ela se submete a duas radiografias, por exemplo. Os especialistas, entretanto, ainda no sabem precisar qual seria a quantidade de radiao considerada limite. Por isso, para minimizar os riscos, trs aspectos precisam ser levados em conta: a utilizao de novos equipamentos, a observao dos protocolos adequados e a realizao de exames somente quando realmente houver necessidade.
     Com a modernizao, os aparelhos passaram a ter um sistema de automatizao e otimizao da dose. Hoje  o equipamento  e no mais o mdico  que faz o clculo da quantidade necessria de radiao para determinado exame, o que evita possveis excessos. Com isso, so utilizadas doses de radiao entre 3 e 5 vezes menores que h 10 anos. E, mesmo com uma dose reduzida, no h perda de acurcia no resultado.
     Com as novas tecnologias, mais seguras e eficazes, surgiram tambm novos protocolos de proteo radiolgica. Exames como raios X por exemplo, no so realizados sem aventais de chumbo para cobertura de reas mais sensveis, como os rgos genitais, ou at mesmo o globo ocular, dependendo da regio a ser examinada.
     Mesmo com metodologias e equipamentos modernos, evitar a repetio desnecessria de exames  a melhor forma de preveno. E como a radiao  cumulativa na corpo, os especialistas alertam sobre a exposio desde muito cedo, que pode levar a uma maior predisposio ao aparecimento de cncer. Por isso, a conduta adequada envolve uma boa avaliao de risco e benefcio, equipamentos modernos e protocolos seguros. Dessa forma, o paciente pode sentir-se seguro ao realizar exames radiolgicos.


